sexta-feira, 27 de agosto de 2010

"Michael Jackson foi um herói" - Madonna

Discurso de Madonna no Video Music Awards de 2009. Muito bonito. Vale a pena ler!

Madonna - Setembro/2009

Michael Jackson nasceu em agosto de 1958, e eu também. Michael Jackson cresceu no subúrbio do Meio-Oeste, e eu também. Michael Jackson teve oito irmãos e irmãs - e eu também. Quando Michael Jackson tinha 6 anos, ele se tornou um superstar e talvez a criança mais adorada do mundo. Quando eu tinha 6 anos, minha mãe morreu.

Eu não tive mãe, mas ele nunca teve infância. E, quando você nunca teve algo, você se torna obcecado por isso. Eu passei minha infância buscando a imagem de minha mãe; e às vezes até conseguia. Mas como você faz para recriar sua infância quando você está sob os olhares do mundo para o resto de sua vida?

Não há dúvidas de que Michael Jackson foi um dos maiores talentos que este mundo já teve a chance de conhecer. De que quando ele cantava uma música aos 8 anos de idade, ele era capaz de fazer com que você sentisse como se um adulto estivesse apertando seu coração com suas palavras. De que o modo como ele dançava tinha a mesma elegância de Fred Astaire e o mesmo impacto de um soco de Muhammad Ali. De que sua música possuía uma camada extra de magia inexplicável, que não só fazia você querer dançar, mas que na realidade conseguia fazer você acreditar que era capaz de voar, de ousar sonhar, de ser tudo o que quisesse ser. Porque é isso que os heróis fazem. E Michael Jackson foi um herói.

Ele se apresentou em estádios de futebol ao redor do mundo, vendeu centenas de milhões de discos, jantou com primeiros-ministros e presidentes. As garotas se apaixonavam por ele, os garotos se apaixonavam por ele, todos queriam dançar como ele. Ele parecia ser de outro mundo, mas ele era também um ser humano. Assim como a maioria dos artistas, ele era tímido e inseguro.

Não posso dizer que éramos grandes amigos, mas em 1991 eu decidi que queria conhecê-lo melhor. Convidei-o para jantar. Eu disse, ‘O convite é meu, eu dirijo, só você e eu’. Ele concordou e apareceu na minha casa sem qualquer guarda-costas. Fomos até o restaurante no meu carro. Estava escuro, mas mesmo assim ele usava óculos escuros. Eu disse, ‘Michael, me sinto como se estivesse conversando com uma limusine. Será que você poderia tirar esses óculos para que eu possa ver seus olhos?’. Ele ficou parado por alguns instantes, e então atirou seus óculos pela janela, olhou para mim sorrindo, piscou e disse, ‘Consegue me ver agora? Melhor assim?’.

Naquele momento fui capaz de enxergar tanto sua vulnerabilidade quanto seu charme. Passei o resto do jantar tentando convencê-lo a comer batata frita, beber vinho, comer sobremesa e dizer palavrões, coisas que ele parecia jamais se permitira fazer. Mais tarde, voltamos para minha casa para assistir filme e ficamos sentados no sofá feito duas crianças. Em algum momento do filme, sua mão segurou a minha. Ele parecia estar procurando uma pessoa amiga e não um romance e fiquei feliz por estar ali. E naquele instante ele não se sentiu um superstar, ele se sentiu um ser humano. Nós saímos juntos mais algumas vezes e, por algum motivo, perdemos o contato.

Foi então que começou uma verdadeira ‘caça às bruxas’ na vida de Michael, com uma história surgindo após a outra. Eu senti a dor dele. Eu sei como é andar na rua e sentir como se o mundo todo estivesse contra você. Eu sei como é se sentir desamparado e incapaz de se defender, porque o barulho é tão alto que você se convence de que sua voz jamais será ouvida. Mas eu tive uma infância, e tive a chance de cometer erros e de descobrir meu caminho no mundo sem a luz dos holofotes.

Quando soube da morte de Michael Jackson eu estava em Londres, alguns dias antes do início da minha turnê. Michael ia se apresentar no mesmo local que eu, uma semana depois. Naquele instante, só consegui pensar que eu o havia abandonado. Que nós o havíamos abandonado. Que havíamos permitido que aquela criatura magnífica, que um dia agitou o mundo, caísse enquanto tentava construir uma família e reconstruir sua carreira. Estávamos ocupados demais fazendo julgamento. A maioria de nós lhe deu as costas.

Em uma tentativa desesperada de manter sua memória viva, fui para a internet assistir alguns de seus vídeos em que ele aparecia cantando e dançando na TV e nos palcos e pensei: ‘Meu Deus, ele era tão único, tão original, tão raro. E jamais haverá alguém como ele novamente’. Ele era um rei. Mas ele também era um ser humano. E nós as vezes precisamos perder algo para aprender a dar valor.

Quero concluir de forma positiva, e dizer que meus filhos de 9 e 4 anos são obcecados por Michael Jackson. Eles o imitam com os passos ‘moonwalker’ e colocando a mão na virilha, e parece que há uma nova geração descobrindo sua genialidade e trazendo-o de volta à vida. Espero que, onde quer que Michael esteja agora, ele esteja sorrindo a respeito disso.

Sim sim, Michael Jackson era um ser humano, mas ele era sim um rei. Vida longa ao Rei.


Vídeo (não legendado): Youtube

Créditos:
- Fórum 'The Essential'

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

'Billie Jean is not my lover...'

Lançado no começo de 1983, Billie Jean foi um compacto de sucesso do álbum Thriller. Com gingado marcante, a canção foi escolhida para possuir o Moonwalk na coreografia. Sua letra carrega uma história polêmica, de mulheres, filhos e o famoso 'golpe da barriga'. "Ela fala que eu sou o único, mas o garoto não é meu filho" diz. Apesar dos vários boatos de que esse contexto teria ocorrido com Michael Jackson, o Rei do Pop desmentiu a especulação em sua autobiografia 'Moonwalk'. Na verdade, ele relatou se inspirar nas garotas que apareciam para seus irmãos, alegando que eles seriam pais de seus filhos.


Billie Jean provavelmente foi a continuação de Wanna Be Starting Something, outra canção de Thriller, que diz: 'Billie Jean está sempre falando quando ninguém mais está falando. Contando mentiras e não está nem aí. Então a chamaram de boca de motor'.


Em 1983, no 'Motown 25: Yesterday, Today and Forever', Michael Jackson apresentou Billie Jean ao vivo pela primeira vez. Dublando a música, ele realizou uma sequência de passos incríveis, mas nada 'inacreditável', até ele gritar 'Hee! Hoo!' e deslizar para trás. Foi aí que a platéia delirou! Todos gritaram e aplaudiram de pé o 'Moonwalk' (Caminhada na Lua). Depois disso, nada mais segurou o Rei do Pop.


Billie Jean tornou-se sua marca registrada - o figurino, a música, a dança. Quincy Jones não apostava muito na canção. Nem queria que ela estivesse no álbum Thriller. Ahhh, mas ele estava enganado; enganado até demais! Billie Jean conquistou o primeiro lugar em diversos países. Ganhou vários prêmios Grammys. Foi ela que garantiu definitivamente o posto de Rei do Pop para Michael Joseph Jackson.



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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Michael X Sony

Em 1990, Michael Jackson assinou um contrato bilionário com a Sony Music. De acordo com esse contrato, ele deveria permanecer por, no mínimo, mais 15 anos na gravadora, lançando 6 álbuns nesse período.


Porém, em 2000, começaram os problemas. Nesse ano, Michael tentou retirar seus catálogos da gravadora e lançá-los com a MJJ Productions. Dessa forma, os lucros de vendas não teriam que ser divididos com a Sony. Cláusulas de seu contrato impediam o feito e, por isso, ele não conseguiu realizar a transferência das músicas.


Processos judiciais estavam a caminho. Tentando evitar isso, Tommy Mottola aceitou entrar num acordo com Michael Joseph Jackson, permitindo sua saída da Sony após o lançamento de Invincible e uma coletânea de sucessos (Number Ones).


Mas o tumulto não pôde ser evitado. A canção 'You Rock My World' vazou para as rádios e foi lançada como single, contra a vontade de Michael Jackson. O Rei do Pop queria o lançamento de 'Unbreakable' e, como isso não ocorreu, ele abandonou a divulgação do álbum. Para piorar, a Sony Music resolveu boicotá-lo, deixando Invincible nas lojas por apenas 3 meses. Taí o motivo de seu relativo 'fracasso'.


"Ele é um racista, e é muito, muito diabólico!" disparou Michael sobre Tommy Mottola.


Apesar de toda essa confusão, Invincible conseguiu vender mais de 12 milhões de cópias, não superando os álbuns anteriores, mas sendo considerado um sucesso para a época em que a pirataria já estava começando.



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Créditos:
- Cecília, dona do blog 'The Essential' (www.thesential.blogspot.com), pelo fornecimento de informações.
- O site 'Wikipédia' (www.pt.wikipedia.org), por também fornecer informações essenciais para a postagem.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Por trás das máscaras

Chapéu, máscara, óculos, e uma roupa super incomum. Esse geralmente foi o figurino de Michael Jackson nas suas últimas aparições. Considerado 'bizarro', o Rei do Pop não ganhou as melhores matérias nos jornais desde o começo da década de 90. Com a primeira acusação (ou melhor, extorsão), a imagem pública de Michael Joseph Jackson chegou ao seu declínio. Suas 'fantasias estranhas' contribuíram para a fama 'Wacko Jacko'. A mídia, obviamente, não deixou escapar essa oportunidade: pisou cruelmente na dignidade de um talentoso artista.


Com o passar do tempo, Michael Jackson virou sinônimo de loucura e bizarrice. A mente inferior do ser humano ainda não está preparada para aceitar o diferente e, em consequência disso, há tantas guerras, discórdia e discriminação no mundo em que vivemos. Michael Jackson era diferente, por isso foi torturado durante toda a sua vida. Ele não foi igual a ninguém, era único, em todos os sentidos. Michael possuía talento e riqueza e, ao mesmo tempo, bondade e humildade. É raro encontrar alguém assim. Ele foi um ponto de luz no meio da escuridão.


Michael Jackson se escondeu atrás de máscaras, de óculos... Tentou esconder a criança triste que existia no seu olhar marcante. Por trás de todo esse disfarce, existia um homem solitário, um homem ansioso por paz, alegria, companhia, vivendo uma história composta de linhas trépulas, no contexto turbulento de uma vida dolorosa. Um homem que não soube o significado da infância, que refez seu rosto, tentando apagar todos os registros de seu penoso passado. E, principalmente, um homem com talento inacabável, insuperável, com pureza no coração e na alma: esse é Michael Jackson por trás das máscaras! Alguém que jamais será esquecido, que viverá para sempre nos nossos corações.



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